Sobre a Felicidade…

Nunca foi tão importante entender o que é felicidade e bem-estar. Primeiro porque hoje a ciência e a psicologia já possuem muitos estudos e pesquisas acerca desse assunto. E, em segundo e principalmente, apesar de termos algum conhecimento e informações disponíveis, o mundo está adoecendo. Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que cerca de 4,4% da população mundial sofre com a depressão. No Brasil esse índice chega a 5,8% e os números estão em crescimento. O Brasil é recordista mundial em prevalência de transtornos de ansiedade: 9,3% da população sofre com o problema. Nunca se falou tanto em burnout, também conhecido como “Síndrome do Esgotamento Profissional”, causada pela exaustão extrema e que vem afetando muitas pessoas no ambiente de trabalho.

Outro dado alarmante é que apenas 15% da força de trabalho global está engajada e feliz com seu trabalho, esse é o resultado da pesquisa realizada pela Gallup.

Mas afinal o que é felicidade?

A felicidade é investigada há milhares de anos por filósofos, psicólogos e também pela religião. Métodos investigados pelas tradições contemplativas milenares tem importantes resultados sobre o que é a chamada Felicidade Genuína. A ciência moderna investiga o bem-estar e existem hoje muitos dados de pesquisa evidenciando a importância desses estudos pra manutenção da saúde mental das pessoas. Eles identificam dois tipos de felicidade: a felicidade genuína e a felicidade hedônica ou condicionada.

A Felicidade hedônica ou condicionada é o que você sente a partir das realizações externas, quando você compra alguma coisa, ganha um presente, recebe um elogio. O prazer que a gente sente e que traz a felicidade é causada por coisas externas. Imagine que você quer um carro novo e que depois de se esforçar bastante consegue comprá-lo. Ou imagine que você deseja muito uma roupa nova ou um sapato novo e você vai à loja e compra. Esses são exemplos de quando a gente sente a felicidade condicionada, o próprio nome já nos ajuda a entender, nossa felicidade é condicionada a fatores externos a nós – a coisas, objetos, acontecimentos, pessoas, relacionamentos.

Já a felicidade genuína surge nas nossas mentes e deve ser cultivada internamente, ela tem uma sensação de propósito mais permanente e surge de dentro para fora. Aristóteles chamou essa felicidade de Eudaimonia. “A felicidade proveniente daquilo que trazemos ao mundo e não daquilo que obtemos do mundo”.

Nesse sentido, a felicidade genuína é aquela que surge de nós para o mundo, quando aprendemos a cultivar estados internos de calma e clareza. Essa felicidade genuína, segundo Matthieu Ricard, doutor em biologia molecular, monge budista e considerado por cientistas o homem mais feliz do mundo, resulta do cultivo de muitas qualidades fundamentais, como altruísmo, compaixão, liberdade interior, resiliência, equilíbrio emocional e paz interior. Diferentemente do prazer, todas essas qualidades são habilidades que podem ser cultivadas por meio da prática e do treinamento de nossa mente.

Claro que os dois tipos de felicidades são bons e não é errado ficarmos felizes com as coisas boas que acontecem ao nosso redor ou que conquistamos com esforço e trabalho, como presentes, objetos e elogios por exemplo. Mas quando ficamos presos somente a esse tipo de felicidade e não aprendemos a cultivar a felicidade interna, ficamos reféns das coisas que nos acontecem. E aí entramos na roda de hamster “há eu seria feliz se eu tivesse uma boa casa”, “seria feliz se eu tivesse um bom marido”, “seria feliz se eu fosse mais magra” e por aí vai. Você provavelmente conhece pessoas que são “cheias de coisas”, mas são “vazias de felicidade e de essência.

Existe uma frase que representa um pouco disso que estamos falando “Desapegar não significa que você não deva possui nada, mas sim que nada deve possuir você.” Não há problema em querer ter as coisas materiais e trabalharmos para conquistá-las o que a gente não deve, é ficar apegado a essas coisas e achar que nossa felicidade depende delas. É preciso ir além e você pode aprender a cultivar esse tipo de felicidade. Mas como desenvolver sua felicidade?

Algumas pistas de cientistas que pesquisaram as possíveis e principais causas da felicidade ao longo de mais de setenta anos apontam que 50% da nossa felicidade é determinada por fatores genéticos que obviamente não controlamos. Já a outra metade é determinada pelas circunstâncias ambientais e sociais e por nossas atitudes. O que isso significa? que as pessoas podem ter controle sobre grande parte da sua felicidade. Elas podem aprender a como fazer isso aprendendo a usar da Inteligência Emocional e equilibrar suas emoções e comportamentos.

Ainda segundo essa pesquisa, existem três fatores que parecem ter grande influência para aumentar a felicidade das pessoas:

1 – Capacidade das pessoas de se recomporem de forma mais positiva diante de problemas

2 – Capacidade de vivenciar a gratidão

3 – Capacidade de praticar a bondade e generosidade com outras pessoas

Então fica aqui algumas dicas valiosas pra você desenvolver sua felicidade e seu bem-estar e aprender a ter uma vida mentalmente mais saudável:

  • Conecte-se com outras pessoas.
  • Aprenda a olhar e buscar os recursos de que precisa dentro de você aplicando práticas meditativas.
  • Agradeça sempre.
  • Ajude outras pessoas.
  • Pratique exercícios físicos.
  • Identifique ações que te acalmam e te dão espaço para acalmar e retomar seu controle diante das situações desafiadoras.
  • Ouvir música, caminhar, contato com a natureza.
  • Escolha algo que te faça bem.

 

Por Renata Morais

Psicóloga / Fundadora da Valor

20/03/22

 

 

 

 

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